|
Metodologia formativa para técnicos
de pré-hospitalar e de policia
Desenvolvida desde 1997, a metodologia EMSDRIVE caracteriza-se
pela aplicação de técnicas de condução
defensiva ao ambiente de emergência pré-hospitalar
e de polícia, com o objectivo de diminuir o nível
de risco praticado pelos condutores.
A metodologia EMSDRIVE aqui proposta assenta nos princípios da condução proactiva, logo defensiva. A exigência da tarefa de conduzir uma viatura em marcha de emergência na via pública, não é compatível com uma abordagem empírica e frequentemente contrária aos resultados da investigação realizada um pouco por todo o mundo.
Uma das obras mais completas e também mais recentes de metanálise de medidas de segurança rodoviária, Rune Elvik & Truls Vaa (2004) The Handbook of Road Safety Measures, discute a relevância estatística da aplicação de alguns princípios julgados eficazes ao longo de décadas, na formação de condutores de emergência. Nalguns casos estamos mesmo na presença de mitos e representações desadequadas da realidade, campo em que o imaginário automóvel é fértil.
Daremos de seguida uma breve síntese de algumas soluções formativas julgadas adequadas num passado recente:
A
condução em emergência é uma
condução de alto risco
Falso. Se o condutor for bem seleccionado, se lhe for proporcionada
uma formação adequada, se o seu desempenho
for frequentemente auditado e lhe for dada formação
de actualização, a espaços nunca superiores
a um ano, não há lugar a condução,
dita de alto risco.
No entanto, se as condições atrás mencionadas
não estiverem preenchidas, estamos a potenciar a
ocorrência de sinistros graves.
O
condutor de emergência deverá treinar o domínio
do veículo em derrapagem
Falso. Estudos mostram (Eriksson 1983; Christensen and Glad
1996) uma correlação directa entre o treino
de controlo de derrapagem e o aumento do número de
acidentes em condutores de ambulância. Este fenómeno
aplica-se também ao condutor “normal”,
embora com menor incidência.
Este tipo de formação assenta no treino das
capacidades reactivas do condutor e não na antecipação
e prevenção das situações limite.
Uma explicação avançada para a correlação
acima mencionada, prende-se com o efeito do aumento da auto-estima
do condutor que, após ter praticado alguns exercícios
em ambiente controlado, julga-se capaz de resolver a mesma
situação na via pública. Em condutores
jovens verifica-se mesmo um aumento da velocidade média
praticada e, por vezes, a procura da situação
limite para aplicar aquilo que aprendeu recentemente.
Acresce ainda o facto de a maioria das formações
de condução reactiva se realizarem com poucas
horas de treino, não dando tempo ao formando para
a criação de um novo automatismo perceptivo-motor.
Os princípios acima referidos não se aplicam ao treino de algumas manobras como sejam o aperfeiçoamento da travagem de emergência ou estratégias de abordagem em curva.
Condução de polícia
versus condução pré-hospitalar
A nossa já elevada
experiência de formação de inspectores da
polícia judiciária (EPJ) diz-nos que formar
condutores de emergência pré-hospitalar com metodologias
de polícia constitui um elevado factor de risco para
o condutor de VMER, ambulância ou similar.
O enquadramento é diferente, os objectivos são diferentes, as missões são diferentes. Nem a formação da polícia é homogénea entre si. A formação que realizamos para a Polícia Judiciária é de condução defensiva e proactiva, radicalmente diferente daquela praticada em corpos de polícia como os GOE (Grupo de Operações Especiais da PSP). Se disponibilizarmos este tipo de formação a condutores de emergência, estamos a potenciar comportamentos de condução agressiva nos condutores. Ora, a condução agressiva é a antítese da condução defensiva. A condução defensiva não deve ser confundida com condução lenta ou medrosa.
Assim preconizamos na nossa formação a aquisição de técnicas de condução defensiva para a marcha de emergência.
Condução desportiva versus condução em emergência
Não é rara a ideia de que um bom piloto daria um bom condutor em marcha de emergência. Nada mais errado. Estamos na presença mais uma vez de estratégias de condução muito diferentes. Tão diferentes como a estratégia de condução à vista da estratégia de condução por estimativa. Os pilotos conduzem quase sempre por estimativa. Conhecem o circuito de memória ou apoiam-se nas notas do navegador. Um piloto na via pública quando quer andar depressa, raramente conta com os factores aleatórios da circulação rodoviária (peões, animais na estrada, veículos imobilizados, diferentes taxas de aderência, obras na via, etc.).
No entanto usamos com frequência exemplos e ensinamentos da competição automóvel em domínios como: posição de condução, viragem do volante, exploração perceptiva-visual, condição física, entre outros.
 |